terça-feira, 28 de junho de 2011

MOSTEIRO DE SÃO BENTO DE AVÉ-MARIA!

* O "MOSTEIRO DE SÃO BENTO DE AVÉ-MARIA" foi um edifício, demolido no final do século XIX, que albergou freiras beneditinas, localizado na cidade do Porto, concretamente no Largo de São Bento (a Praça Almeida Garrett dos nossos dias).
* No seu local foi construida a Estação Ferroviária do Porto-São Bento, nos inícios do século XX.
* No princípio do século XVI, mais precisamente no ano de 1518, o rei Dom Manuel I, que no ano anterior outorgara foral ao Porto, mandou construir à custa da sua fazenda, o "Mosteiro da Avé-Maria" ou "da Encarnação" das monjas de São Bento, dentro dos muros da cidade, no local chamada das "Hortas do Bispo" ou "da Cividade". 
* Desejando o rei que os Mosteiros das Religiosas se transferissem dos montes para as cidades, neste vieram a ser recolhidas as monjas procedentes dos Mosteiros de Rio Tinto, Vila Cova, Tarouquela e Tuías, no dia 06 de Março de 1535. No século XVI recebeu, ainda, algumas freiras de um extinto mosteiro em Macieira de Sarnes (o autor carece de dados oficiais). Foi a sua primeira abadessa Dona Maria de Melo, monja de Arouca e, ao mesmo tempo, regedora do Mosteiro de Taroquela (freguesia que pertence áquele concelho do distrito de Aveiro).
* Vários testemunhos referem-se ao Real Convento como uma maravilha em decoração e magnificência, deduzindo-se ter predominado inicialmente o estilo manuelino. Deduz-se...pois foram muitas as alterações e aditamentos que a igreja e o convento sofreram durante os anos, a última motivada por um grande incêndio no ano de 1783; sendo que ao tempo da demolição apenas restava um arco manuelino da sua traça primitiva.
* Com a afirmação do Liberalismo no início do século XIX, este regime, depois de extintas as ordens religiosas, confiscou todos os seus bens por decretos dos anos de 1832 e 1834, determinando que estes passassem para o Estado após a morte da última religiosa. No caso do Mosteiro de Avé-Maria, esta terá falecido apenas no ano de 1892, ficando as instalações devolutas. Contam-se várias histórias de que, em certas noites, ainda é possível ouvir as rezas da monja a ecoar pelos corredores das alas da (agora) Estação Ferroviária! (O autor ouviu da boca dos seus avós a confirmação deste fato).
* A demolição dos claustros inicia-se cerca de 1894 e a da igreja processa-se entre Outubro de 1900 e Outubro de 1901. As ossadas das monjas foram recolhidas numa catacumba mandada construir no Cemitério do Prado do Repouso, pela Câmara Municipal do Porto, no ano de 1894.
* Muito do seu espólio perdeu-se por altura da demolição, incluindo uma grande variedade de azulejos-tapete, sendo que alguns vieram a ser recolhidos por Rocha Peixoto (António Augusto da, arqueólogo, nascido na Póvoa de Varzim em 18.Maio.1866 e falecido em Matosinhos em 02.Maio.1909, com 43 anos). O que resta do espólio pode apreciar-se no Museu do Seminário do Porto (a talha), na Igreja de São João das Caldas de Vizela (o retábulo-mor da igreja), no Paço de São Cipriano em Guimarães (os azulejos do claustro), no Museu Nacional da Arte Antiga, em Lisboa (o báculo da Abadessa) e no Mosteiro de Singeverga em Roriz (o cibório com pedras finas).


Compilado por "texasselvagem", em Gondomar.

NOTAS: Todos os parênteses () são da autoria do autor, pelo que só a ele veiculam.
                 O texto foi redigido segundo as novas Normas do Acordo Ortográfico para a Língua Portuguesa.

FONTES: Publicações do acervo do autor e a preciosa ajuda da "wikipédia, livre".

segunda-feira, 27 de junho de 2011

TERREIRO DA SÉ - PORTO, A MINHA TERRA NATAL!






* O "TERREIRO DA SÉ" é uma praça na freguesia da Sé da cidade do Porto (antiga, muy nobre, invicta e sempre leal).
* O Terreiro da Sé, tal como hoje se nos apresenta, é uma criação da década de 1940. Para abrir caminho para esta praça espaçosa foram demolidos vários quarteirões de feição medieval que ainda subsistiam.
* Mesmo em frente à porta da Sé (Catedral) do Porto estava a "Capela dos Alfaiates" que foi desmontada e reconstruida no ano de 1953, onde atualmente se encontra (entre as Ruas do Sol e São Luís). Nas imediações estava, também, uma casa torre que foi reconstruida, reintepretada e rebatizada como "Torre Medieval do Porto" (o autor já publicou um artigo sobre ela). No entanto, a quase totalidade das construções do local desapareceram para sempre, nomeadamente a antiga "Cadeia do Bispo" e a casa armoriada que pertencia ao conde de Castelo de Paiva.
* Desapareceram também diversos arruamentos como o Largo do Açougue, e as Ruas do Faval, das Tendas e da Francisca.
* No centro do novo Terreiro da Sé foi colocado um pelourinho pela Câmara Minicipal do Porto, no ano de 1945, como remate das obras de restruturação da zona  envolvente da Sé.
* As designações anteriores deste mesmo terreiro foram: Largo da Sé e Terreiro de Dom Afonso Henriques e confina, nos nossos dias, com as Escadas da Sé, Calçada da Vandoma, Calçada de Dom Pedro Pitões e Rua de Dom Hugo.   


Compilado em Gondomar, por "texasselvagem"
NOTAS: 1.- O texto foi redidigido ao abrigo do novo Acordo Ortográfico para a Língua Portuguesa.
                 2.- Sendo todos os parênteses () da autoria do autor, só a ele veiculam.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

VÍMARA PERES - PORTO, A MINHA CIDADE NATAL!





* "VÍMARA PERES" (Corunha, 820-Guimarães, 873), senhor da guerra cristão da segunda metade do século IX do noroeste da Península Ibérica. Nascido na Corunha, na Galiza, vassalo do rei Dom Afonso III foi enviado a reclamar o vale do Douro, em tempos remotos integrado na província romana da Galécia.
* Vímara foi um dos responsáveis pela repovoação da linha entre o Minho e Douro e, auxiliado por cavaleiros da região, pela ação de presúria do burgo de Portucale (Porto), que assim foi definitivamente conquistado aos muçulmanos no ano de 868 (d.c.)
* Nesse mesmo ano, tornou-se o primeiro conde de Portucale.
* Vímara Peres foi também o fundador de um pequeno burgo fortificado nas proximidades de Braga. VIMARANIS (derivado do seu próprio nome), que com o decorrer dos tempos, por evolução fonética, se tornou na moderna GUIMARÃES, tendo sido o principal centro governativo do Condado Portucalense aquando da chegada do Conde Dom Henrique (progenitor do primeiro rei de Portugal).
* Foi em Guimarães que viria a falecer no ano de 873. O seu filho, Lucídio Vimaranes (etimológicante "filho de Vímara") sucedeu-lhe à frente dos destinos do condado, instituindo-se assim, uma dinastia condal que governaria a região até ao ano de 1071.
* Note-se que na Ibéria Medieval, Conde foi um título e posição equivalente à de Duque.
* (A  foto que antecede o texto representa a estátua equestre de Vímara Peres na cidade do Porto, sendo uma obra de Salvador Barata Feyo, de 1968 e encontrando-se mesmo em frente ao Edifício da Catedral).

Compilado em Gondomar, por "texasselvagem"
NOTAS: Todos os parênteses () são resultantes de buscas efetuadas pelo autor pelo que só a ele responsabilizam.
               O texto foi redigido segundo o novo acordo Ortográfico para a Língua Portuguesa.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

CONVENTO DOS GRILOS - PORTO, A MINHA CIDADE NATAL!





* A "IGREJA E COLÉGIO DE SÃO LOURENÇO" (popularmente conhecida pela "Igreja dos Grilos"), é um conjunto de edifícios religiosos na cidade do Porto (na freguesia da Sé).
* Construidos pelos jesuítas em 1577 em estilo maneirista barroco-jesuítico, financiados por doações de fiéis, assim como de Frei Dom Luís Álvaro de Távora (nasceu em 17.Março.1634), aqui sepultado; a Igreja e o Covento de São Lourenço foram erguidos com forte oposição da câmara e da população. No entanto, os seguidores de Santo Inácio de Loyola acabaram por conseguirfundar o tão ambicionado colégio com aulas gratuitas, o que fez com que conquistasse rapidamente um notável êxito.
* A oposição da população não era dirigida aos jesuitas, mas ao colégio que pretendiam instituir devido aos privilégios que os cidadãos tinham que impediam a permanência de nobres e fidalgos dentro da cidade, por um período superior a três dias. Assim sendo o colégio que seria construido, chamaria filhos de nobre e fidalgos que obrigatoriamente teriam de residir na cidade, mas através de algumas artimanhas dos religiosos a oposição dos burgueses foi ultrapassada. 
* Com a expulsão dos jesuitas no ano de 1759, por ordem do Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho e Mello), a igreja foi doada à Universidade de Coimbra até à sua compra pelos Frades Descalços de Santo Agostinho que ali ficaram entre os anos de 1780 a 1832. Estes frades vieram de Espanha em 1663, instalando-se, de início, em Lisboa, no Sítio do Grilo, onde rapidamente ganharam a simpatia da povoação, ganhando o nome de "frades-grilos", dando assim origem ao nome da igreja onde estiveram no Porto.
* Durante o Cerco do Porto, os frades viram-se obrigados a abandonar o convento, tendo sido este ocupado pelas tropas liberais de Dom Pedro. O Batalhão Académico, integrando Almeida Garrett, instalou-se lá. Hoje o convento é pertença do Seminário Maior que o ocupa desde o passado ano de 1834 (século XIX).


Compilado em Gondomar, por "texasselvagem"
NOTAS: Sendo todos os parênteses () devidos a buscas efetuadas pelo autor, estes só a ele vinculam.
                Texto redigido segundo as normas do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A SÉ DO PORTO - A MINHA CIDADE NATAL!

Fachada lateral do edifício da Sé Catedral do Porto.

Fachada principal do edifício com as duas torres sineiras e
a rosácea a encimar o conjunto.

Altar-mor e o respetivo sacrário

Quadro representando a "Nossa Senhora da Vandoma"

Outra perspetiva do edifício da catedral.




* A "SÉ (CATEDRAL) DA CIDADE DO PORTO", situada no coração do centro histórico, é um dos seus principais e mais antigos monumentos.
* O início da sua construção data da primeira metade do século XII, e prolongou-se até ao princípio do século XIII. Esse primeiro edifício, em estilo romântico, sofreu muitas alterações ao longo dos séculos. Da época romântica datam o caráter geral da fachada com as torres e a bela rosácea, além do corpo da igreja de três naves coberto por abóboda de canhão. A abóboda da nave central é sustentada por arcobotantes, sendo a Sé do Porto um dos primeiros edifícios portugueses em que se utilizou esse elemento arquitetónico.
* Na época gótica construiu-se a capela funerária de João Gordo (cerca de 1333), cavaleiro da Ordem dos Hospitalários e colaborador de Dom Dinis, sepultado num túmulo com jacente. Também da época gótica data o claustro (séculos XIV-XV), construido no reinado de Dom João I. Este rei casou-se com Dona Filipa de Lencastre na Sé do Porto no ano de 1387.
* O exterior da Sé foi muito modificado na época barroca. Cerca do ano de 1772 construiu-se um novo portal em substituição ao romântico original. As balaustradas e cúpulas das torres também são barrocas. No ano de 1736, o arquiteto Nicolau Nasoni adicionou uma bela galilé barroca à fachada lateral da Catedral.
* À esquerda da capela-mor, encontra-se um magnífico altar de prata, construido na segunda metade do século XVII por vários artistas portugueses, salvo das tropas francesas em 1809 por meio de uma parede de gesso fabricada apressadamente. Ainda nesta área esquerda é especialmente notável a Imagem de Nossa Senhora da Vandoma (padroeira da cidade). No século XVUU a capela-mor original romãntica - que era dotada de um deambulatório - foi substituida por uma maior em estilo barroco. O altar-mor, construido entre os anos 1727 a 1729, é uma importante obra do barroco joanino, projetado por Santos Ferreira (estalhador lisboeta) e esculpido por Miguel Francisco da Silva. As pinturas murais da capela-mor são da autoria de Nasoni.
* O transepto sul dá acesso aos claustros do século XIV e à Capela de São Vicente. Uma graciosa escadaria do século XVIII de Nasoni conduz aos pisos superiores, onde os painéis de azulejos exibem a vida da Virgem e as Metamoforses de Ovídeo.
* A Sé integra três belos orgãos. Um deles, no coro-alto, marca em Portugal um período que dá início ao desenvolvimento organístico. Trata-se de um orgão do construtor Jann, o mesmo do orgão da Igreja da Lapa (Porto), ambos promovidos pelo esforço e iniciativa do Cónego Ferreira dos Santos (António, nascido na freguesia de Guidões, concelho da Trofa, em 25 de Junho de 1936).

Compilado em Gondomar, por "texasselvagem"

NOTAS: Todos os parênteses () resultam de investigações efetuadas pelo autor, pelo que só a ele responsabilizam.
               Texto redigido segundo as normas do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

FONTES: Com a preciosa ajuda da "wikipédia livre" foram utilizados excertos de livros editados pelos serviços de turismo da Câmara Municipal do Porto e Junta de Freguesia da Sé.

DE EXPUGNATIONE LYSBONENSI!

* (Para melhor enquadramento deste texto, deverão recuar à mensagem sobre Pedro (II) Pitões, antigo bispo da cidade do Porto).
* DE EXPUGNATIONE LYSBONENSI" (em português "da captura de Lisboa") é o nome pelo qual é conhecida uma missiva (carta) em latim escrita por um cruzado que participou do cerco e conquista de Lisboa, no ano de 1147, durante a Segunda Cruzada. A tomada de Lisboa aos mouros foi realizada por uma força conjunta de cruzados oriundos do norte da Europa e portugueses sob comando do rei Dom Afonso Henriques.  A carta descreve com riqueza de detalhes as negociações políticas entre o rei e os cruzados estrangeiros, assimo como as ações militares que levaram à conquista de Lisboa, sendo a principal fonte histórica da conquista da cidade.
* A carta começa com uma fórnula abreviada de saudação: "Osb. de Baldr. R. salutem". As ambiguidades do latim medieval  fazem com que seja difícil saber quem foi o autor e que é o destinatário. Tradicionalmente a carta é atribuida a "Osb. de Baldr" e é dirigida a "R"; porém, também é possível que tenha sido escrita por "R" e dirigida a "Osb." Este "Osb." é Osberno (ou Osberto) de Bawdsey (Suffolk). "R." é identificado por alguns como um presbítero inglês chamado Raul.
* Seja quem fôr o autor, o importante é que era um cruzado de formação religiosa (un clérigo ou presbítero) oriundo da Inglaterra ou da Normandia, e que foi testemunha ocular dos acontecimentos da tomada de Lisboa aos mouros no ano de 1147. A qualidade do latim empregado por ele e as caraterísticas do texto indicam que era um homem culto.
* Na carta, o autor descreve a conquista desde as fases preliminares até ao período imediatamente posterior à tomada da cidade. Os cruzados, oriundos principalmente da Inglaterra, Gales, Normandia, Condado da Flandres, norte da França e Renânia (Alemanha), a caminho da Terra Santa, aportam na cidade do Porto, no norte de Portugal, em Junho  de 1147. Estes são recebidos pelo bispo do Porto, Pedro Pitões, enviado do rei Dom Afonso Henriques, que tenta convencê-los em ajudar os portugueses na conquista de Lisboa. 
* O próprio rei português encontra-se com os cruzados nos arredores de Lisboa e faz um discurso para convencê-los a participar na conquista da cidade. Também o condestável inglês, Harvey de Glanville, faz outro discurso e termina por convencer as tropas. O autor da carta reproduz todos esses discursos, ainda que seja impossível saber com que grau de exatidão. As palavras do bispo e do rei apelam tanto ao espírito da cruzada contra os inimigos muçulmanos (a Reconquista era considerada parte da Cruzadas) quanto à promessa de saque (pilhagens) da rica cidade de Lisboa. No acordo final o rei também se compromete a que os cruzados que assim desejassem se pudessem estabelecer em terras da região de Lisboa, onde estariam isentos de impostos. O arcebispo de de Braga, Dom João Peculiar, dirige um discurso aos lisboetas tentando convencê-los a que se rendam sem luta, mas estes recusam. Este último discurso é muito interessante por explicar claramente a justificação moral da Reconquista, ou seja, que os mouros haviam tomado injustamente as terras cristãs durante a invasão muçulmana da Peninsula Ibérica no século VIII.
* O longo cerco começa em Julho de 1147. O autor descreve em detalhe vários momentos de tensão ocorridos nesse período entre os cruzados, causados especialmente pela rivalidade entre os anglo-normandos por um lado e os flamengos e alemães por outro. De uma maneira geral, o autor anglo-normando descreve de forma favorável o comportamento dos seus compatriotas e denigra a dos flamengos e alemães. A relação com as tropas portuguesas também chega a ter vários momentos de grande tensão. 
* "De expugnation Lyxbonensi" também reproduz cartas dos mouros, traduzidas do árabe, intercetadas pelos sitiadores. Numa delas, enviada pelo rei mouro  de Évora e destinada aos moradores de Lisboa, o rei eborense recusa-se a ajudá-los na luta contra os cristãos, com a desculpa de não quebrar um acordo de paz que havia feito com Dom Afonso Henriques.
* Depois de muito esforço, os sitiadores conseguem derrubar parte dos muros da cidade e constroem uma máquina de cerco - uma torre dotada de ponte - que debilita enormemente as defesas da cidade, levando finalmente os lisboetas a renderem-se aos cristãos. O acordo de rendição com os mouros é negociado por Fernão Cativo (Fernão Gomes, 1110-1170), por parte do rei, e Harvey de Glanville, um dos condestávais anglo-normandos. Desacordos sobre o botim geram mais tensão e mesmo violência entre os cristãos, sendo necessárias novas negociações para acordar a divisão das riquezas da cidade.
* Finalmente, no dia 25 de Outubro, a cidade é adentrada pelos cruzados. Apesar de Dom Afonso Henriques ter ordenado que os habitantes fossem bem tratados, o autor do texto informa que as tropas flamengas e alemãs massacraram muitos habitantes da cidade sem razão, matando inclusive o bispo moçárabe da Lisboa miçilmana; enquanto que os anglo-normandos comportaram-se com mesura, respeitanto (literalmente) os acordos. Já espoliada dos seus pertences de valor, a população moura é obrigada a abandonar Lisboa.
* Na parte final a carta descreve entre outras coisas a restauração da diocese de Lisboa e a eleição do seu primeiro bispo, o também cruzado Gilberto de Hastings. Também faz referência ao abandono pelos mouros do Castelo de Sintra e do Castelo de Palmela após a conquista de Lisboa.
* O manuscrito latino da carta conserva-se atualmente no "Corpus Christi College" da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Foram já publicadas várias traduções tanto ao português como ao inglês.

Compilado por "texasselvagem", em Gondomar.

NOTAS: Texto escrito segundo o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
                Os parênteses () resultam de buscas efetuadas pelo autor, pelo que só a ele responsabilizam.

terça-feira, 21 de junho de 2011

TORRE MEDIEVAL DO PORTO - A MINHA TERRA NATAL!



* A "TORRE MEDIEVAL DO PORTO", "TORRE DA RUA DE DOM PEDRO PITÕES" ou, ainda "TORRE DA CIDADE" é uma casa-torre medieval reconstruida na zona histórica do Porto, na freguesia da Sé.
* A casa-torre, atualmente localizada na Rua de Dom Pedro Pitões, permaneceu durante largos séculos oculta entre o casario então existente no local onde hoje se abre o Terreiro da Sé. Encontra-se ao lado dos antigos açougues, em frente à fachada principal da Sé do Porto.
* Durante a década de 1940, numa tentativa de dar maior dignidade ao edifício da Sé (Catedral) e de higienizar a zona envolvente, procedeu-se à demolição dos antigos quarteirões, pondo a descoberto a torre medieval.
* Como se tratava de um exemplar típico das construções medievais que preservava o aspeto de fortaleza, foi decidido preservá-lo, deslocando-o cerca de 15 (quinze) metros do seu local original. O edífício foi reconstruido sob a orientação do arquiteto ROGÉRIO (dos Santos) AZEVEDO (Porto,25,Junho.1898-1983, com 85 anos) que lhe acrescentou un balcão em pedra de feição gótica.
* Até finais do ano de 1960 aí esteve instalado o "Gabinete de História da Cidade". Nos nossos dias serve de posto de turismo da empresa "Porto Tours".


Compilado em Gondomar, por "texasselvagem"

NOTAS: a) Os parênteses () são da responsabilidade do autor e devem-se a pesquisas efetuadas por este.
                b) Texto redigido segundo as normas do atual Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

FONTES: Com a preciosa ajuda da "wikipédia livre", brochuras diversas editadas pelos serviços de turismo da Câmara Municipal do Porto e Junta de Freguesia da Sé. 

PEDRO PITÕES - PORTO, A MINHA TERRA NATAL!




* PEDRO (II) PITÕES, que faleceu no ano de 1152 foi um bispo do Porto eleito em 1145, famoso pelo seu papel na Reconquista.
* Foi precedido por Pedro (I) Rabaldes e sucedido por Pedro (III) Sénior.
* No ano de 1147, PEDRO PITÕES foi encarregado pelo rei Dom Afonso Henriques (o primeiro de Portugal) de receber uma frota de cruzados do norte da Europa que tomavam parte da Segunda Cruzada. No Porto, Dom Pedro (o bispo) fez um discurso aos cruzados para convencê-los a ajudar os portugueses a conquistar Lisboa. Este discurso aparece transcrito em "De expugnatione Lyxbonensi", manuscrito redigido por um cruzado anglo-normando presente entre os ouvintes.
* Do Porto, o bispo (Dom Pedro) acompanhou os cruzados até aos arredores de Lisboa, onde se encontraram com o rei português. Ali, depois de algumas tentativas diplomáticas, os cruzados aceitaram prestar ajuda na conquista da cidade.
* (O autor irá transcrever o manuscrito num artigo independente, a seguir à publicação deste excerto).

Compilado por "texasselvagem", em Gondomar

NOTA: Texto redigido respeitando as atuais normas do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

CAPELA DO SENHOR DOS PASSOS - PORTO, A MINHA CIDADE NATAL!







* A "CAPELA DO SENHOR DOS PASSOS" ou "ORATÓRIO DA CAPELA DE SÃO SEBASTIÃO" é uma capela localizada na Rua de São Domingos, freguesia da Sé, na cidade do Porto.
*Foi construida no ano de 1745, no estilo barroco e encontrando-se em bastante razoável estado de conservação.
* Esta capela fazia parte de um conjunto de oratórios que pertenceram ao Convento dos Grilos e existiam nas ruas por onde era habitual passar a procissão do "Senhor dos Passos", na Quaresma.
* No ano de 1834 as ordens religiosas foram extintas, as procissões foram suspensas e os oratórios foram desaparecendo. Nos nossos dias apenas subssistem dois, o de São Sebastião e o da Rua de São Francisco, que veio a ser transferido para a Rua Nova da Alfândega, en frente à Igreja de São Nicolau (junto à Praça do Infante).
* Pelo Decreto-Lei número 95/78, publicado no Diário da República número 210 de 12 de Setembro, foi classificado como património histórico pelo IGESPAR.


Compilado em Gondomar, por "texasselvagem"

NOTA: O texto foi redigido de acordo com as novas normas do Acordo Ortográfico para a Língua Portuguesa.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

PAÇO EPISCOPAL DO PORTO - A MINHA CIDADE NATAL





* Frequentemente é atribuida a iniciativa da construção do "PAÇO EPISCOPAL DO PORTO" ao bispo Dom Frei João Rafael de Mendonça (nascido em 25.Abril.1717 e falecido em 06.Junho.1793, que foi bispo de Pinhel nos anos de 1770 e 1771 e do Porto de 1771, até à sua morte, 1793), o que implicou a demolição total do antigo paço e a encomenda deste novo projeto. No entanto, a construção da obra ir-se-ia prolongar durante vários anos e o bispo não chegaria a vê-la completa. Ainda assim, muitos trechos do traçado original foram alterados e outros terminados apressadamente em prejuizo do conjunto global, estrutura, clareza e unidade arquitetónica.
* Porém, já é consensual a influência de Nicolau Nasoni no alçado da frontaria, projetando-se em duas fachadas facilmente reconhecidas, a de ocidente e a do sul. Deste bloco, de digna imponência, majestosa e elegante mas não pesada, rasgam-se dezenas de janelas barrocas. Perto da Sé Catedral, sobre penhascos colossais, a fachada principal acabou por ficar a mais baixa.
* Foram feitas várias obras de reconstrução do paço, tendo sido uma das mais importantes aquela efetuada pelo bispo Dom Luís Pires (bispo de Braga, e do Porto entre os anos de 1454 a 1464), ao qual se deve o mérito de aumentar e organizar a importante biblioteca. A mais profunda remodelação seria durante a idade barroca, da iniciativa do Cabido da Sé do Porto.
* Nos nossos dias este paço pertence ao Estado Português e foi recentemente recuperado.
* No eixo da composição ergue-se o conjunto portão-janela de honra. O brasão de armas, em pedra, sobrepões-se ligeiramente ao friso do entablamento que decora a frontaria e acima do beirado eleva-se um frontão curvo e ornamentado, como coroamento do monumental eixo. O brasão é flanqueado de larga decoração. Sobre as lojas, para as quais se abrem cinco portas almofadadas e sete janelas baixas e gradeadas, avistam-se as 24 (vinte e quatro) janelas do andar nobre, doze (12) de cada lado, unidas verticalmente duas a duas, alternando-se os ornamentos; uns festivos e oitros menos ornamentados; cada una destas janelas abre para varandins guarnecidos de ferro forjado e desenho delicado.
* O interior é composto por amplos salões, alguns exuberando excelentes peças de mobiliário, nuitas salas, muitos quartos caraterísticos da época anterior à sofrida expropriação. No fundo do vestíbulo desenvolve-se a escadria nobre, com decoração mural bem posterior à do início do projeto, embora surprendemente concordantes no seu conjunto, tetos, lanternins, patamares, corrimões e a entrada do andar nobre, digno de um verdadeiro portal palaciano.
* (O Paço Episcopal do Porto, situa-se no Terreiro da Sé, paredes meias com a Catedral, na freguesia do mesmo  nome).


Compilado em Gondomar, por "texasselvagem"

NOTAS: Todos os parênteses () são da responsabilidade do autor e resultam de pesquisas efetuados por este.
               Texto redigido ao abrigo do atual Acordo Ortográfico para a Língua Portuguesa.    

IGREJA DOS CONGREGADOS - PORTO, A MINHA CIDADE!





* A "IGREJA DOS CONGREGADOS" situa-se na Praça Almeida Garrett, em plena baixa da cidade do Porto.
* A igreja foi construida no ano de 1703 sobre a antiga capela (demolida em 1694, por não comportar a quantidade de fiéis que ali assistiam às missas), datada de 1662, que foi arrazada para a construção da atual igreja.
* A capela mor foi reconstruida no século XIX e recebeu as pinturas murais de Acácio Lino (de Magalhães, nascido na freguesia de Travanca, concelho de Amarante em 25.Fevereiro.1878 e falecido na cidade do Porto, com 78 anos, em 18.Abril.1956); já os azulejos da sua fachada são da autoria de Jorge Colaço (nascido no consulado de Tânger,  em Marrocos e falecido em Caxias, com 72 anos, em 23.Agosto.1942) e os vitrais de Robert Léone, que datam do ano de 1920 (já no século XX).

Compilado por "texasselvagem", em Gondomar.
NOTAS: Todos os parênteses () deverão ser atribuidos ao autor e só a ele devem vincular.
                 Texto redigido segundo as normas do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.