domingo, 26 de agosto de 2012

TEIXEIRA (apelido)

* Para todos aqueles que, como eu, possuem este apelido, segue uma pouco da origem do nome; que não tendo sido uma busca complexa, foi, em toda a simplicidade a mais completa; esperando por isso
 
que gostem.  Ficheiro:Brasão-Teixeira.svg
                            (A imagem representa o brazão de armas da família TEIXEIRA)
 
* TEIXEIRA (apelido) é um nome de família da onomástica da língua portuguesa e galega, tendo origens toponímicas.
* Seguindo o pensamento de alguns genealogisitas poderá derivar da palavra "teixo" - nome este de uma árvore gimnospérmica da família das Taxaceae. No entanto as suas origens como nome de família encontram-se na localidade Teixeira.
* Começou a ser usado como apelido de família durante o século XII pelo Senhor de Teixeira e Gestaçô, Dom HERMÍGIO MENDES DE TEIXEIRA, personagem da história portuguesa contemporânea do rei Dom Sancho I (aquelas duas localidades situam-se no concelho de Baião, distrito do Porto, por ora).
* Dom Hermígio foi casado com Dona Maria Pais, filha de Dom Paio de Novais. Deste casamento houve descendência que continuou o apelido até à atualidade. No século XVIII foi criado pelo rei de Portugal, Dom João VI - pai de Dom Pedro I do Brasil - por meio de uma carta régia de 16 de março de 1818, o título de BARÕES DE TEIXEIRA, a favor do grande comerciante e capitalista português HENRIQUE TEIXEIRA DE SAMPAIO, 1º. Senhor de Sampaio, 1º. Conde da Póvoa, e, então Primeiro Barão de Teixeira.
* No Brasil, os Teixeira(s) chegaram ao final do século XVIII, inicialmente como Góis e Mello, para então depois se tornar apelido único de família. Primeiramente na cidade de Recife, no Pernanambuco, depois no interior do Ceará - inicialmente em Mombaça, cidade do sertão central. Na região foi de relevante importância económica e política, gerando numerosa descendência. As suas gerações vieram a ter continuidade através da família Castelo e Benevides.
* O brasão de armas dos Teixeiras - representado no início do texto - é de azul com uma cruz de ouro potenteia e vazia.

Write in Gondomar (Oporto), by
texasselvagem, 2012.08.26
 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

RENAULT 4CV!

* O "RENAULT 4CV" que em Portugal ficou conhecido como "Joaninha", foi um automóvel produzido pela construtora francesa "Renault".

CARATERÍSTICAS

a) - Período de produção entre os anos de 1946 a 1961;
b) - Pertenceu à classe dos compactos;
c) - O seu motor era de 750 cc;
d) - O seu comprimento era de 3663 milímetros;
e) - A sua largura era de 1430 milímetros;
f) - A altura era de 1470 milímetros;
g) - O seu peso bruto era de 600 quilogramas;
h) - Teve como antecessor o modelo "Juvaquatre" do mesmo fabricante e,
i) - Os seus sucessores foram os modelos "Caravelle", "Dauphine" e "4" todos daquele frabricante.

* Em Portugal este modelo ficou e continua a ser conhecido pelo nome de "Joaninha", nome que lhe adveio do formato da sua carroçaria que se assemelha àquele inseto. Uma semelhança que também aconteceu com o modelo "Fusca" da alemã "Volkswagen", que no nosso país ficou célebre pelo nome de "carocha".
* Este carro foi inspirado no modelo "Beetle" daquela marca alemã (VW) e foi o primeiro automóvel francês a vender mais de um milhão de unidades. Algumas dessas unidades foram exportadas para o Brasil, onde aqui recebeu o bem-humorado apelido de "rabo quente", por via do seu motor estar instalado na parte traseira. Na época outro carro de motor traseiro (o VW Fusca) ainda não havia chegado ao território brasileiro, sendo o motor traseiro uma completa novidade. Assim, e por pouco tempo, aquele apelido foi atribuido ao primeiro que chegou a terras do Brasil.
Exemplar em estado de novo, cuja matrícula data do ano
de 1959 (mais novo que eu dois anos). Equipamento
original, notando-se os piscas-piscas na lateral junto à
porta traseira. Por baixo do vidro traseiro fica o tampão para
o combustível. Agradeço ao proprietário a possibilidade
desta imagem. 
* O sinal de mudança de direção não era a tradicional seta que se levantava ao meio, mas sim um farolim colocado no canto lateral traseiro de cada um dos lados e que piscava (não piscava...)!
   

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

NAVIO-HOSPITAL "GIL EANNES"!

CARATERÍSTICAS


a) - Construido nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo;
b) - Foi lançado à água no ano de 1955;
c) - Esteve ao serviço entre os anos de 1955 e 1973, inclusivé;
d) - Atualmente serve como navio-museu;
e) - Deslocava 4 854 toneladas;
f) - O seu comprimento é de 98,450 metros;
g) - Tem de boca 13,716 metros;
h) - O seu calado é de 2,40 metros;
i) - A propulsão era feita através de dois motores de 1400 BHP, cada;
j) - A velocidade máxima atingida era de 12,50 nós.

O NAVIO

* O "Gil Eannes" foi um navio-hospital português. Nos nossos dias encontra-se fundeado no porto de pesca da cidade de Viana do Castelo, tendo como função servir de museu e Pousada de Juventude.
* No século XX existiram duas embarcações com bandeira portuguesa com a designação de GIL EANNES e a mesma função de navio-hospital, sendo que ambas prestaram apoio às atividades relacionadas com a pesca do bacalhau, em águas da Terra Nova, no Grande Banco e na Gronelândia. A função justificava-se em pleno, uma vez que os pesqueiros portugueses encontravam-se - por rotina - isolados por longos meses naquelas longínquas águas.
* Assim, o primeiro navio a receber aquele nome foi o "Lahneck", que pertencia ao Império Alemão e foi apreendido na sequência da entrada de Portugal na Primeira Grande Guerra Mundial (no ano de 1916), que foi transformado, primeiramente, em cruzador auxiliar da Marinha Portuguesa. Posteriormente, já no ano de 1927, zarpou pela primeira vez para a Terra Nova - após haver sido adaptado a navio-hospital em estaleiros dos Paises Baixos. Em 1955 foi substituido por uma nova embarcação homónima, construida de raiz nos "Estaleiros Navais de Viana do Castelo". Ao longo da sua existência, serviu ainda como navio-capitania, navio-correio, navio-rebocador e até, quebra-gelos, assegurando o abastecimento de mantimentos, redes, material de pesca, combustível, água potável e isco aos bacalhoeiros.
* Após o ano de 1963 passou a efetuar viagens comerciais como navio-frigorífico e de passageiros entre as campanhas de pesca, tendo efetuado a sua última viagem à Terra Nova em 1973, ano em que também fez uma viagem diplomática ao Brasil com o recém-nomeado (no ano anterior, 1972) embaixador de Portugal em Brasília de então, Professor Doutor José Hermano Saraiva (recentemente falecido).
* Depois desta última viagem perdeu as suas funções, ficando ancorado no porto de Lisboa, no mais completo estado de abandono, tendo sido vendido para abate, como sucata, já em 1977.
* Perante este fim inglório para a embarcação e a escassos dias da sua já programada destruição, graças a um apelo feito por aquele grande historiador (ex-embaixador) num dos seus programas, a comunidade vianense mobilizou-se para o resgastar, concebendo um projeto para ser exposto no porto de mar da cidade, como tributo ao passado marítimo grandioso desta cidade, tornando-se numa das suas principais atrações turísticas.
* Deste modo, em 1998 foi reabilitado nos estaleiros onde havia sido construido, com o apoio de várias instituições, empresas e cidadãos anónimos, sendo gerido pela "Fundação Gil Eannes" expressamente criada para esse fim.

O INTERIOR

Vista da ré para a proa, no porto de pesca

Vista geral lateral, no sentido da proa para a popa.
Para quem esteve condenado à sucata, faz vibrar
qualquer visitante com a sua imponência e boa
conservação.
* Na visita à embarcação destacam-se os espaços da ponte de comando, da cozinha, da padaria, da casa das máquinas, do consultório médico, da sala de tratamentos, do gabinete de radiologia, além de diversos camarotes e salas que vão servindo para exposições temporárias. Conta também com uma Sala de Reuniões (a antiga sala de jantar dos oficiais), loja de recordações, bar/esplanada e uma Pousada de Juventude com sessenta (60) camas, localizada nas antigas enfermarias e camarotes. 

domingo, 12 de agosto de 2012

A VOSSA (MINHA) ALDEIA!

* O autor é natural da freguesia do Bonfim, concelho do Porto, daí se tornar necessário recuar aos seus avoengos, para se chegar ao tema desta crónica.
* Com efeito, a avó materna, de sua graça MARIA VICTÓRIA DA SILVA (grafia da época), nasceu na aldeia da Cortiçada, freguesia de Castelões, concelho de Tondela, no (ainda) distrito de Viseu; a qual, embora tenha desencarnado no estado civil de "solteira", teve dois filhos varões: JOAQUIM MARIA DA SILVA (o meu progenitor) e JOSÉ JOAQUIM DA SILVA (logicamente meu tio), ambos já falecidos. 
* Para o assunto em causa, apenas interessa o meu pai. Devido a alguma cabulice e outras situações escolares menos apropriadas, ele foi castigado de forma a concluir o ensino básico (na época a quarta classe) na extinta escola primária (posteriormente EB1) da Cortiçada, onde a saudosa professora Dona Mécia (também já fora da lista dos vivos) tudo fazia para que não houvesse meninos mal comportados - estes podiam ser mais ou menos espertos - e rezingões.
Pois aí temos..."Serviço de Incêndios da...
Cortiçada"

Camioneta da marca "Bedford" com o "pirilampo"
côr de laranja. 

Como se pode constatar pela matrícula, terá cerca de
quarenta anos e não acredito que dê mais de 50
quilómetros/hora.
Outro pormenor interessante e que comprova a sua
antiguidade é o fato de se o motor não pegar, haver
uma manivela para esse fim.
* Diretamente o autor do blogue nada terá a haver com a aldeia, embora ainda possua lá algumas propriedades rústicas e familiares em quarto ou quinto grau. Certo é que ele foi habituado a conviver com algumas peripécias agrícolas, tomando conhecimento com os usos e costumes rurais, visto que por lá passava, com os seus progenitores, as férias de Verão, numa casa construida de raiz pelo seu pai, em terreno que lhe adveio após as devidas partilhas, que depois veio a ser alienada, devido à impossibilidade da sua manutenção.
* No ano de 1515 el-Rei Dom Manuel I deu o nome de "CORTIZADA" a uma vila  que tinha seis habitantes. Com a evolução da língua passou a escrever-se "Cortyçada", sendo que o nome definitivo ficou "Cortiçada".
* Na "CORTIZADA" havia muitos cortiços de abelhas que eram pertença da Família Real, crendo-se que daqui derivará a sua etimologia.
* A "CORTIÇADA" é uma aldeia bastante pequena que como já se disse, pertence à freguesia de Castelões, concelho de Tondela, distrito de Viseu e região da Beira Alta. A aldeia fica a cerca de oito (8) quilómetros da sede do concelho. O meio é predominantemente rural, sendo a agricultura, a criação de gado e o pequeno comércio, as principais atividades da população. Como qualquer outra pequena aldeia do interior, ela é, também, vítima da emigração.
* Nos nossos dias terá cerca de cento e vinte (120) fogos e quatrocentos (400) habitantes em permanência, a maioria já com idade superior aos sessenta anos.
* O lugar, propriamente dito, da Cortiçada é composto por minúsculos aglomerados, como a "Corga Amarela", a "Lomba" (parte central e onde se localiza a capela, cujo orago, é a "Senhora da Saude"), as "Corgas", a "Questeja", o "Lugar", o "Cabeço", o "Lameiro" e a "Ramila". Ora, era precisamente no Lameiro que se situava a escola primária da aldeia, que quando foi extinta, era frequentada por oito alunos de todas as classes.
* O edifício atualmente é a sede do "Clube de Caça e Pesca da Alagoa".
* Como infraestruturas possui distribuição postal ao domicílio, abastecimento de água, de eletricidade, o "Clube Desportivo Piedadense", um serviço de táxi e...pasme-se um "serviço de incêndios", embora sem quartel nem bombeiros, cuja viatura com cerca de quarenta anos fica aparcada no largo público.
* Chegou a possuir uma fábrica e armazém de refrigerantes, que se denominava por "Refrigerantes Besteiros" do saudoso José Viegas Fernandes, encerrada há vários anos, mas cujo edifício ainda resiste, muito embora sem qualquer menção.
* É servida pela transportadora "Transdev" que liga a aldeia às freguesias vizinhas, à sede do concelho e distrito. A sede do concelho chegou a ser servida pela linha ferroviária do Dão, cuja circulação foi definitivamente extinta nos anos oitenta do século passado.